“Não podemos nos calar diante das demandas da sociedade”, diz pastor Featured

Igreja tem ajudado ribeirinhos prejudicados pelo fogo no Pantanal.

 

Por:   

Pastor Samuel Santos em uma das ações sociais (Arquivos Pessoais)

 

A Igreja Batista Poconé, do Mato Grosso, tem feito diferença para a vida da sociedade, ajudando os ribeirinhos prejudicados pelo fogo no Pantanal, levando alimentos aos necessitados e promovendo trabalhos de apoio as pessoas em meio a crise causada pela pandemia.

Liderada pelo pastor Samuel Santos, a igreja evangélica ganhou destaque pela forma como tem atuado para ajudar no Pantanal, com a iniciativa de lavar as fardas e uniformes dos bombeiros e voluntários que atuam no combate aos incêndios da região.

 

Casado com a pastora Maressa Santos, o casal tem dois filhos, Thomas e Eva Maria, e exercem o ministério pastoral há 4 anos, sendo que o pastor Samuel vive há 7 anos no estado do Mato Grosso. Ele é natural de São Paulo, capital.

 


Pastor Samuel e pastora Maressa juntamente com os filhos, Thomas e Eva Maria.

 
 

Samuel Santos falou com exclusividade ao Gospel Prime sobre os trabalhos realizados pela igreja. Leia à integra da entrevista:

Gospel Prime – Como surgiu a ideia de ajudar os ribeirinhos do Pantanal?

Samuel Santos – A ideia surgiu quando começou os alertas de incêndio na região do Pantanal. Nos veio o desejo de fazer algo. E começamos a pensar em possibilidades de como ajudar nesta situação visto que não podemos ir propriamente aos locais de incêndio e apagá-los. Levantamos a liderança da igreja para orarmos em relação a isso pois cremos que todo movimento da igreja primeiro nasce de um movimento espiritual através da oração.

Então nos lembramos que na tragédia de Mariana uma igreja Batista se levantou para cooperar com as ações do corpo de bombeiros lavando seus uniformes. Na nossa realidade gostaríamos de fazer o mesmo e entendemos que a excelência honra a Deus e abençoa pessoas.

No início eram muitas fardas pois a equipe estava trabalhando em uma região mais próxima da cidade. Começamos cooperando com os bombeiros posteriormente os oficiais da marinha e alguns da força aérea nos solicitaram ajuda também. A partir daí mandamos os uniformes e fardas dos oficiais para uma lavanderia para que todo esse trabalho pudesse ser realizado com muito zelo e agilidade que eles necessitam para devolver as fardas com rapidez.

De onde vocês recebem as doações?

 

Para custear essa ação, o ministério de mulheres da nossa igreja, Ministério Preciosas, foi fundamental. Aos domingos elas produziam pratos prontos para serem vendidos aos irmãos da nossa comunidade, assim todo recurso arrecadado foi revertido às lavagens das fardas.

Além disso, abrimos aos demais irmãos que desejassem contribuir com a causa para ofertarem de acordo com a disposição de cada um.

 

Quais os maiores desafios em relação ao projeto?

O maior desafio nessa ação inicialmente foi a logística de levar e buscar as fardas do local na base de apoio aos oficiais que fica a cerca de 40km da nossa cidade, e entregar em menos de 24h. E obviamente de arrecadar recursos para custear toda esta ação.

Nesse momento nosso desafio é outro, ainda desejamos abençoar a Operação Pantanal 2 em outro extremo do Pantanal, que é a equipe que está em operação na Transpantaneira, e a base de apoio onde eles estão fica a mais de 140km da nossa cidade e a estrada não é pavimentada. Mas nosso coração ainda queima para ser útil na vida desta equipe também.

Também temos o desafio de cooperar com as autoridades da nossa cidade e arrecadar frutas para mandarmos ás equipes que estão socorrendo os animais atingidos com os incêndios. Os testemunhos têm chegado e nos alegramos muito por isso.

 

Já surgiram muitos testemunhos?

Muitos militares entraram em contato conosco pelas redes sociais e outros vieram até a nossa igreja em celebrações de domingo para conhecerem a igreja que estava realizando essa ação. Todos eles relataram estar muito impactados através de uma ação tão simples mas que gerou surpresa e gratidão.

Um dos oficiais da marinha que também é pastor, (Primeiro Sargento da Marinha, e Pastor Júlio) relatou que a movimentação da igreja trouxe uma sensibilização espiritual aos que estavam afastados ou que ainda não participavam de uma igreja.

Pastores com Josué, na esquerda, Tenente da Força Aérea Brasileira e Anderson, na direita, Capitão da Marinha (Arquivos Pessoais)

 

Estamos também trabalhando na assistência às famílias de moradores de comunidades mais atingidas pelo fogo. Levando alimentos não perecíveis, produtos de higiene pessoal e produtos de limpeza. Que são arrecadados através do nosso projeto Quilo do AMOR realizado mensalmente em nossa igreja há alguns anos, e nesse período intensificamos a arrecadação.

Um testemunho dessa ação foi um senhor chamado José, que mora sozinho em uma comunidade, instalado em uma barraca. O simples fato de estarmos perto dele o sensibilizou profundamente, e ele em lágrimas entregou sua vida a Jesus. Tivemos a oportunidade de ajudá-lo com suprimentos e também com uma lona para melhorar a cobertura da sua moradia e também levamos um cobertor.

E todos esses movimentos são sempre oportunos para que a igreja possa realizar a missão de levar a Palavra da Fé, a esperança e o amor que se mostra através de ações práticas. Queremos dar continuidade a este serviço prestado com amor a estas pessoas que tanto precisam da nossa ajuda.

Como o senhor vê a atuação da Igreja em meio à pandemia?

Em relação à pandemia entendemos que a Igreja é uma voz de esperança em meio ao sofrimento e a dor. E nós somos a reposta ao clamor de uma sociedade que sofre. Como Igreja nós precisamos assumir essa identidade e sermos profetas de esperança.

Não podemos nos calar diante das demandas da sociedade. Precisamos orar sim, mas é necessária uma atitude de ir em direção àqueles que necessitam. As questões sociais não são uma pauta partidária mas uma pauta celestial. A Igreja precisa estar onde Jesus estaria, fazendo o que ele faria e agindo como ele agiria.

 

Desde março, quando as igrejas precisaram fechar suas portas, percebemos a oportunidade de ser Igreja para além das quatro paredes. E vimos a necessidade de comunicar esperança em meio ao caos gerado pelo medo da pandemia.
Espalhamos faixas pela cidade com mensagens de esperança. Utilizamos carros de som com mensagens de esperança rodando pelos bairros.

Prestamos assistência aos necessitados da nossa cidade, pessoas que estavam em situações difíceis devido a pandemia. Com o Projeto Quilo do Amor nesse primeiro momento arrecadamos cerca de uma tonelada e meia de alimentos.

Assim pretendemos continuar servindo o Reino de Deus com a responsabilidade da igreja em ser a resposta, o engajamento social e o compromisso de ser relevantes em nossa sociedade.

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